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O projeto Escola Portátil de Música, é um programa de educação musical voltado para a capacitação e profissionalização de músicos através da linguagem do Choro.

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   Escola Portátil de Música   English

Criada por músicos de choro em 2000 a partir da necessidade de passar adiante seus conhecimentos sobre o gênero, a Escola Portátil de Música vem, desde então, protagonizando uma história de crescimento e sucesso. O que começou com cerca de cinqüenta alunos na Sala Funarte passou para perto de cem na UFRJ, em seguida o número de interessados mais que triplicou no casarão da Glória, e hoje em dia, no campus da Uni-Rio na Urca, são 23 professores e cerca de 600 alunos de flauta, clarinete, saxofone, trompete, trombone, contrabaixo, violão de 6 e 7 cordas, cavaquinho, bandolim, pandeiro, percussão, piano, acordeom e canto - sem falar das aulas de história do choro, teoria musical, harmonia, arranjo, composição, prática de conjunto etc. A formação musical oferecida pela Escola Portátil de Música é completa (teórica e prática), dando ao aluno formado a possibilidade de trabalhar dentro de qualquer estilo musical, não apenas do choro. Por isso tantos candidatos buscam se matricular a cada ano, atraídos pela proposta inédita de promover a educação musical por meio da linguagem do choro. O objetivo da EPM é dar ao aluno fundamentos educacionais, profissionais, sociais e emocionais, para que ele possa trilhar uma carreira de sucesso e uma vida produtiva como artista e como cidadão.

E não somente os alunos são atraídos pelos sons que vêm da Escola Portátil. Uma legião cada vez maior de fãs, admiradores e entusiastas vem se beneficiando dos efeitos positivos disseminados a partir da EPM. O ensaio aberto semanal do Bandão - provavelmente o maior regional do mundo, que reúne todos os alunos da escola - já virou, graças ao boca-a-boca, uma mistura entre programa carioca de sábado e atração turística informal. Ali, aos pés do Morro da Urca, curiosos e amantes da boa música comparecem toda semana para ouvir os arranjos especialmente feitos para o grupo, seja de clássicos da música brasileira, seja de composições inéditas.

Além do Bandão, outros grupos nasceram na EPM e hoje atuam no circuito cultural do estado. Entre eles, destacam-se a Furiosa Portátil - banda com ênfase nos metais, responsável por performances realmente furiosas e arrebatadoras -, a Camerata Portátil - composta de violões, cavaquinhos, bandolins, flautas, clarinetes e percussão - e os Matutos de Cordeiro - jovens e talentosos músicos dessa pequena cidade da região serrana, que já gravaram até mesmo um disco próprio. Tão importantes quanto esses conjuntos, que já atuam profissionalmente, são os pequenos regionais criados informalmente na escola. É por meio desses grupos, presentes nos quintais, nos bares, nas casas, nas ruas, que se faz a maior e mais espontânea divulgação do choro, esse gênero essencialmente brasileiro, que já conta mais de 150 anos.

Outras iniciativas que visam à maior circulação da música são realizadas pelos alunos e professores da Escola Portátil. Toda sexta-feira, das 17h às 18h30, a Rádio Nacional AM transmite, para todo o Brasil (e para todo o mundo, via internet) o programa "Escola Portátil no Ar". Nele, grupos formados na EPM apresentam composições próprias ou peças do vasto repertório do choro. A série "Finep Instrumental" também realiza, pelo segundo ano consecutivo, uma parceria com a EPM. Sempre na primeira quinta-feira do mês, uma atração vinculada à Escola se apresenta dentro do projeto, na sede da Finep, no bairro do Flamengo, com entrada franca. São oportunidades de mostrar o trabalho realizado pela EPM, e ao mesmo tempo formar um público interessado em conhecer a produção contemporânea da música instrumental brasileira.

Aberta a todos os interessados, com resultados de amplo alcance social, comprometida com a disseminação de uma das maiores riquezas da cultura brasileira, a Escola Portátil de Música é patrocinada pela Petrobras, como projeto convidado. Graças ao patrocínio, as aulas são gratuitas, cabendo aos alunos apenas o pagamento de uma taxa semestral administrativa.

A Escola Portátil é uma iniciativa do Instituto Casa do Choro, que promove também, anualmente, no período de férias de verão, o Festival Nacional de Choro. Sempre em um local afastado dos grandes centros urbanos, o Festival reúne, durante oito dias, cerca de 250 músicos brasileiros e estrangeiros, amadores e profissionais, para uma rotina de aulas, workshops, shows, palestras, vídeos etc. Ao reunir estudantes, profissionais e amadores em um mesmo ambiente por oito dias, o Festival promove um encontro inédito, um intercâmbio de experiências que não tem equivalente no país. Desta forma, transforma-se em um ambiente propício à troca de informações sobre o que acontece em todo o Brasil em relação ao choro, e a projetos que utilizem a música como veículo. Dessa troca de informações resultam iniciativas em todo o país e até no exterior, que evidenciam o potencial multiplicador do Festival.

Por que o choro

O choro, uma das mais antigas músicas populares urbanas em atividade, com cerca de 150 anos de existência, foi a grande escola dos mais importantes músicos brasileiros, como Anacleto de Medeiros, Ernesto Nazareth, Pixinguinha, Sivuca, Hermeto Paschoal, Tom Jobim, Altamiro Carrilho, Baden Powell, Raphael Rabello, entre tantos outros. Surgiu em meados do século XIX no Rio de Janeiro, a partir de influências diversas que confluíam para a então capital do Brasil, e rapidamente se espalhou por todo o país. Durante o século XX, o choro conheceu um notável desenvolvimento, tanto em termos de composição, interpretação e registro quanto em alcance, tornando-se sem dúvida uma música nacional. Matéria-prima de compositores que estruturaram a música brasileira, inclusive a de concerto, como Villa-Lobos, Radamés Gnattali e Guerra-Peixe, o choro contribuiu para fazer a nossa música respeitada em todo o mundo. A partir dos anos 60, entretanto, sem espaço nas rádios, TVs e demais veículos de comunicação de massa, o gênero passou a ser menos divulgado, e freqüentemente rotulado com uma "música do passado".

É esse o panorama que a EPM e o Instituto Casa do Choro vêm revertendo com sucesso, por entender que o choro, enquanto uma das maiores riquezas culturais do Brasil, deve ser continuamente explorado, pesquisado e conhecido, para gerar cada vez mais frutos. Graças ao alto nível do seu corpo docente e à sua metodologia de ensino, que privilegia a prática, a composição e o estudo histórico da música carioca, a EPM vem colocando o choro em posição de destaque no cenário do século XXI, incentivando jovens compositores que, por seu estudo do repertório dos mestres dos séculos passados, colaboram para o alargamento do repertório contemporâneo de forma fundamentada, com base em referências sólidas.


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